O PRIMEIRO GATINHO
ou como a família Porto rendeu-se ao charme felino

Foi em outubro de 1997.
Ele se chamou Drummond, apelido Dudu, e por incrível que pareça, não fui eu quem trouxe. Verdade seja dita, eu não simpatizava com gatos nessa época. Achava lindos, fofos e tudo mais mas... Tinha medo !!! Isso mesmo, medo de suas unhinhas...
Fui criada com gatos desde pequena, na casa da minha avó. Ela sempre os teve. Eu agarrava, brincava, carregava pra lá e pra cá os filhotinhos que sempre nasciam das gatas ( que naquela época não eram, obviamente castradas - isso não se usava ).
Mas na idade adulta... Não sei, me tornei medrosa, detestava me machucar, e achava que gatos eram um perigo com aquelas garras enormes e afiadas.
E chegou Dudu, trazido por... Meu pai, uma criatura que definitivamente não apreciava gatos, que achava animais falsos e sem nenhum apego ao dono...
Dudu era todo branco, com rabo tigrado e mancha tigrada pequenina no alto da cabeça.
Claro que minha mãe implicou, e disse que ele não ficaria de jeito nenhum. Bem, minha irmã namorava na época um rapaz cuja mãe gostava de gatos. Ficou acertado que o gato seria dele. Mas... A casa dele estava em obras, então o gato ficaria hospedado em nossa casa por três semanas.
Nessas três semanas, ele foi mimado, acariciado, carregado... Eu me aproximei, embora ainda com medo... E ficava encantada com o seu miadinho fino, e colocava a comidinha, e dava água, e trocava o jornal ( sim, nós não sabíamos que existia areia para gatos, muito menos que eles usavam areia ).
Exatas três semanas depois, o pequeno Dudu partiu... Embora não da maneira que esperávamos. Ele morreu subitamente, inexplicavelmente... Não tinha nada aparente. Estava esperto, bonito e perfeito. Mas se foi, no mesmo dia em que iria embora.
Não dava pra negar - ele tinha que ser nosso.
Todo mundo chorou naquela noite. Todos ficaram arrasados.
Por muito tempo me perguntei o porque dele ter entrado em nossa vida, o porque de ter partido quando já amavamos gatos... Seis meses depois, descobri. Veio a pequena Mel, seguindo o caminho que Dudu abriu em nossos corações.

 

AILUROFILIA

Ailurofilia significa "amor ao gato". Essa é uma palavra que define perfeitamente como me sinto: uma ailurófila assumidíssima, capaz de passar horas escolhendo mimos em uma petshop, gastar rolos e mais rolos de filmes para poder capturar todas as gracinhas, percorrer qualquer distância para estar em contato com gatos e gateiros amigos de todo país... A ailurofilia é, acima de tudo uma paixão, um sentimento desenfreado e sem limites, que dopa nossos sentidos e nos enche o coração de alegria a cada novo momento, a cada salto elegante, a cada travessura, cada carícia, cada ronronar... Ser ailurófilo é ser capaz de um amor verdadeiro, ser grato por estar junto e aconchegado, ficar embevecida e perdida em contemplação, sentir-se entre irmãos entre os felinos amigos e os amigos dos felinos... Enfim, é ser feliz.